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Comecei a tocar bateria aos 20 anos de idade, em 1984, quando a
efervescência cultural no sul do Brasil estava em alta. Eu já tocava
na noite desde 1981. Comecei com percussão em roda de samba, depois
estudei cavaquinho. Do ganzá a cuíca, o que vinha eu traçava. O rock
brasileiro dava os primeiros sinais de furar a barreira imposta
pelas gravadoras e as bandas novas começavam a lançar compactos
(pequenos discos com uma ou duas músicas de cada lado), formando a
primeira leva do rock brasileiro dos anos 80. Isso foi definitivo
para eu procurar o Thabba, meu primeiro professor de bateria. O
Thedy, o Carlão e eu já estávamos decididos a montar uma banda.
Passei a tocar bateria na noite, aprendendo muito com outros
músicos, e estudando sempre. O proprietário do bar que eu tocava era
colega de faculdade de engenharia (PUCRS) e me emprestava a chave do
Bangalô Bar para ensaiarmos à tarde. Até que na noite 5/10/1986 o
Nenhum de Nós tocou pela primeira vez, iniciando uma história que
completará 20 anos em 2006.
Quando era moleque, brincava de tocar bateria em baldes, panelas,
vasos com pauzinhos de cabide. Meu pai me levava todos os domingos
para assistir aos “Concertos para a Juventude”, onde a OSPA
(Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) tocava os clássicos. Havia uma
vivência bastante musical, mas não havia músicos próximos na minha
família (com exceção do tio Hugo, acordeonista) e só fui ter contato
com os primeiros instrumentos de percussão lá pelos 16 anos. Aos 19
tocava na noite, como hobby, pra levantar alguma grana, pois meu
objetivo (e de minha família) era concluir o curso de Eng. Química.
E fui tocando e estudando até montar a banda e gravar o primeiro
disco - que continha "Camila, Camila”. Aí foi o fim da dúvida:
decidi que seria músico, ainda que formado em engenharia. O diploma
tá bem enrolado no fundo de uma gaveta...
Escolhi a bateria pela afinidade precoce com a percussão. A formação
cartesiana (toda a família é de engenheiros, inclusive eu!) que tive
em casa também ajudou: tem muita matemática nas divisões musicais.
Quando fui estudar o instrumento, já tinha noção de ritmo, o que
facilitou muito. As noções de harmonia que tive com o cavaquinho
também ajudaram bastante na integração com os outros músicos da
banda. Nós aprendemos a tocar juntos!
Muitos bateristas me influenciaram ao longo dos anos pela sua
postura, e muitos artistas e bandas pelo conceito musical, que acho
fundamental. Desde Ringo Starr e Keith Moon, passando por Neil Peart,
Phil Collins, Bill Brufford, Chester Thompson, Bob Benberg (Supertramp),
Larry Murlay Jr. e Billy Cobham até John Bonham e Ian Paice. Dos
brasileiros: Airto Moreira, João Barone, André Jung, Alexandre
Fonseca e Albino Infantozzih. Tenho gostado do trabalho do Nathan
Followill (Kings of Leon) e do Zak (Starkey) , agora no Oasis.
Gosto de escutar absolutamente DE TUDO! Nesse momento estou
escutando os mais recentes CDs do Coldplay, Foo Fighters, Oasis e
MTV Bandas Gaúchas. Além de várias vertentes do rock de língua
inglesa, escuto muita música brasileira - rock, MPB e samba; rock
argentino, folclore de vários lugares e um pouco de compositores
eruditos clássicos. E no carro aproveito pra escutar o que anda
tocando nas rádios... Aí é complicado! Salvo raras exceções, as
rádios esqueceram de tocar boa música. Aqui no sul a segmentação das
rádios abriu espaço para as bandas locais. Vemos as coisas mudaram
pra melhor em termos de condições técnicas. Comprar um bom
instrumento, gravar um disco, tocar ao vivo e até mostrar o trabalho
são tarefas que inviabilizavam o começo de muitas bandas.
Encontramos equipamentos de som e luz qualificados em todo o Brasil.
Com um bom computador pode-se gravar um disco de qualidade. Mas
falta um pouco de espontaneidade. Tem muita gente entrando nessa por
grana. Se não houver investimento, não há retorno. E quem perde com
isso é a arte, é a música, pois se você encarar isso só como um
negócio, perde a poesia e o magnetismo...
MINHA DICA: Não procure o caminho mais fácil. Procure o SEU caminho.
Tem que estudar o instrumento, tocar e escutar de tudo, mas não pode
ficar alienado do mundo que tá girando. Procure não abandonar outros
deveres antes de ter certeza que está disposto a trilhar uma
carreira SÓLIDA na música. Isso exige anos de investimento. Não
deixe que a música magoe você por não lhe dar sustento. Você deve
sustentá-la! Seja sincero. Seja uma pessoa que "vale a pena"!!!
Aquele abraço!!! |